sábado, 31 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Shtandart"
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A fragata russa “Shtandart” (1999) é a réplica da fragata com o mesmo nome construída em 1703, no estaleiro de Olonetsky. É um navio de treino com participação em regatas internacionais. A tripulação da fragata original variava entre 120 e 150 homens, mas a actual embarca 10 oficiais e 30 instruendos. Tem 27,5 m de comprimento, 6,9 m de largura e 3,3 m de calado. Navega à velocidade de 8 a 9 nós.
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O MELHOR GOLO DA VIA LÁCTEA

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Em 1988, Van Basten a jogar pela Holanda contra a Rússia, marcou o que era considerado o melhor golo de sempre na Via Láctea - do outro mundo! Hoje, Benzema, depois de um cruzamento de Ronaldo, marcou outro quase a "papel químico", mas melhor, dizem.
Mourinho caiu de cu.
Veja os golos de Benzema e de Van Basten no vídeo.
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A CARGA COGNITIVA DO BENFICA

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O cidadão está a ver o programa do Rui Santos na televisão e, de repente, pensa numa coisa qualquer para fazer na cozinha. Levanta-se e avança para lá, embora não esteja bem isso porque o Rui Santos deve ser respeitado. Qual castigo, quando chega não se lembra o que ia fazer. Preocupante? Manifestação de senilidade? Nem uma coisa nem outra. Voilá: às vezes há boas notícias!
A este respeito recorde-se que temos dois tipos de memória, talvez mais, mas neste momento interessam duas: a memória de trabalho e a memória de longa duração. A primeira, agora entre mãos, é a que usamos nas actividades do dia a dia, como essa de ir à cozinha fazer uma burrice, ou similar. Pois a memória de trabalho tem capacidade limitada. Não é só a sua; é a de toda a gente. O psicólogo de Princeton, George Miller, dizia que a memória de trabalho era capaz de digerir sete peças de informação simultaneamente; mas parece que Miller era um optimista: dizem os investigadores actuais da Neuro-Ciência que serão apenas três, eventualmente quatro, se as coisas estiverem a correr bem.
Por outro lado, a quantidade de informação a entrar simultaneamente na nossa “tola”  chama-se carga cognitiva. Se estamos a ver o Benfica, a carga cognitiva chega quase ao infinito com o virtuosismo do Aimar e os penteados de Jesus e Yannick Djaló (quando joga!). Para as mentes funcionarem capazmente, a carga cognitiva não pode exceder a capacidade da tal memória de trabalho. Quando excede, acontecem episódios como o da ida à cozinha.
Ter conhecimento disto é importante no dia a dia - usar métodos conscientes de limitação da carga cognitiva em cada momento pode melhorar muito a nossa prestação. É, parece-me um caso de importância semelhante ao referido neste espaço há dias atrás, o controlo do spotlight. Portanto, quando estiver a ouvir o Rui Santos, concentre-se no homem e mais nada. Caso contrário dá bota.
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INSPIRAÇÃO

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A adorável arte de Agata Kowalska
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VELA LATINA


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A vela latina surgiu cerca de 200 anos antes de Cristo. É triangular e permite navegar contra o vento (à bolina). O  outro tipo de velas em uso são as redondas, na realidade quadradas, ou melhor ainda, rectangulares!
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TAUROMAQUIA POLÍTICA

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As investidas contra Seguro são diárias. Há os que marram baixo, os que marram alto, os que marram por trás, os que marram pela frente, mas no PS toda a gente marra. Ricardo Costa diz no “Expresso” que Seguro ainda não percebeu onde se enfiou. Não esperava tanta besta perigosa - porque desembolada - em manada e sem cabrestos, digo eu. E acrescenta Costa:  [Seguro] "Hesita entre as ‘viúvas’ de Sócrates e o memorando da troika, entre esquerdistas bissextos e a UGT, entre esperar pelas decisões do Governo e impor negociações".

As ‘viúvas’ de Sócrates não aguentam mais. A abstinência forçada do poder é penosa, sobretudo para o andamento dos negócios. Como pode um político viver assim? 
Seguro diz que está concentrado no futuro do País e que é esse o seu dever. E que vai ser firme no rumo que traçou, de defesa dos interesses de Portugal, porque tais interesses estão acima dos interesses partidários. Oh Santa Maria, Mãe de Deus!... Interesses do País?!... Interesses do partido?!... Querem lá eles saber disso, Seguro! Interesses das ‘viúvas’ de Sócrates. Esses é que importam, porque o resto é literatura, ainda não percebeste? Fica claro  que não sabes onde te enfiaste, Seguro.
Nem João Proença, o inefável líder da UGT, escapa: também sofre investidas e foi “colhido”. No meio da sua bonomia, vai dizendo que há no PS quem não assuma que perdeu as eleições e também quem se esqueça do que assinou. Daqui digo a Proença que assumir a derrota eleitoral não é para os que agora marram. Querem lá eles saber se a esperteza provinciana de Sócrates e seus amigos, talqualmente provincianos, espatifa o nosso berço: interessa é o poder a qualquer preço. Assim é que é. E não nos entendemos enquanto não falarmos todos da mesma coisa; ou seja, enquanto uns falarem do interesse do País e outros falarem de interesses provincianos, mesquinhos e cavernícolas.

O REPÓRTER DA CIDADE

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sexta-feira, 30 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"City of Adelaide"
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O “City of Adelaide” é um clipper construído por William Pile, Hay and Co., em Sunderland, e lançado à água em 1864 com o actual nome. Chamou-se depois HMS “Carrick” e “Carrick”, para voltar a ser “City of Adelaide”, em 2001. Foi navio de passageiros, mineraleiro, cargueiro, navio hospital, navio de treino e navio museu. Está em vias de ser transferido para a Austrália por dificuldades de manutenção na Escócia. Entre 1864 e 1887, fez 23 viagens anuais de ida e volta entre a Inglaterra e Adelaide, no Sul da Austrália. É o mais antigo clipper do mundo, dos que ainda sobrevivem. Desloca 791 toneladas, tem 74,4 m de comprimento, 9,8 m de boca e 9,8 m de calado.


CHEIRO A CHULÉ [2]

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Falávamos ontem da greve geral em Espanha e dos índios selvagens da republicana esquerda. Hoje, no rescaldo dos lamentáveis acontecimentos, ficamos a saber que, só em Barcelona, 80 pessoas ficaram feridas, quatro das quais ainda estão hospitalizadas. Foram queimados 300 contentores do lixo e destruídos inúmeros semáforos e parquímetros, tudo estimado em prejuízo superior a meio milhão de euros. Mas ainda há 46 autocarros de transporte público danificados e inoperacionais e 30 estações do metropolitano vandalizadas. E o deputado Felip Puig, do Parlamento Catalão, dá-nos conta de cerca de 300 a 400 pessoas que praticavam a violência por diversão.
Não sou especialista na matéria, mas manda a ética republicana, penso eu, tratar essa gente como tal, isto é, como gente. Não é ético tratá-los como bestas; e acho bem porque as bestas só atacam movidas pelo instinto de defesa e sobrevivência. Os espécimes de que agora nos ocupamos, usando uma imagem pragmamórfica, de que falei aqui em baixo, são apenas calhaus com olhos. É tudo.


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LUSITANA CORRUPÇÃO

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(Com o agradecimento a António Pedro Fonseca)
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UMA GAIVOTA, UM AVIÃO, UM NAVIO

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PRAGMAMORFISMO



Pragma é grego e significa objecto. Diz quem sabe que objecto é exterior ao espírito; como a bola que ontem foi chutada para dentro da baliza dos lagartos, embora tal objecto tenha feito mal a muitos espíritos; espíritos que, por definição, não podem ser verdes porque só os objectos têm cor. Ipso facto, os lagartos têm cor, mas o espírito deles é incolor. Pensando bem, talvez nem incolor seja. Ou será? Uma trapalhada!... Não interessam os lagartos... Adiante.
Vem isto a propósito de pragmamorfismo, matéria com um nome que a faz parecer complicada, mas não é, e de que gosto muito. Comecemos por falar de antropomorfismo, ou seja, a prática de atribuir qualidades humanas aos objectos e animais. Por exemplo, essa coisa de falar da personalidade de um automóvel, da inspiração dos canários, ou da paixão das vacas pelos pastos dos Açores, segundo Cavaco Silva. É burrice, mas faz toilette no discurso, é bengala oratória, e serve para épater le bourgeois.
Pragmamorfismo é exactamente o oposto, ou seja, a prática de atribuir ao homem propriedades dos objectos animados e inanimados não humanos. É a expressão banal de que Arménio é calhau, ou Seguro um asno. Mas essas são matérias de mau gosto e neste espaço cultiva-se a fina flor do bom gosto (!). Consequentemente, lavra-se noutro campo mais elevado!
Por exemplo, a imagiologia cerebral para estudar a actividade psíquica. Estamos a usar - nós, a humanidade, porque eu e os meus leitores não usamos nada – a tomografia por emissão de positrões para obter imagens em três dimensões da actividade psíquica no cérebro. Consequentemente, não tarda, temos a configuração espacial do medo, a cor da fé religiosa, e o perfil cerebral da inspiração artística. Digo não tarda porque a configuração da tendência para o tabagismo, o alcoolismo a obesidade e a dependência da cocaína já aí estão numa figura ao lado. O que é isto se não o pragmamorfismo na sua quinta-essência? O psíquico a cores e em três dimensões!
Porque tenho a idade dele, sou como o velho do Restelo. Não fico deslumbrado com os progressos no estudo da mente humana e nem sequer sei se valem a pena, ou servem para alguma coisa. Com tais conhecimentos e o apoio de boa Farmacologia, um dia destes todos são simultaneamente como Einstein, Brahms, van Gogh e Eça – uma monotonia! O que é de mais também farta.
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SHIP WATCHER

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O editor d' "O Dolicocéfalo", este vosso humilde servo, na qualidade de ship watcher quase profissional, passou a fazer parte da equipa do site "MarineTraffic.com", o que muito o honra e onde tem aprendido muito. Aliás, já era membro da associação internacional "Ships Nostalgia", em cujo site também colabora regularmente. Se gosta de navios, do mar, e da vida no mar, sugiro que participe.
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quinta-feira, 29 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Pegasus"
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O navio “Pegasus” foi construído em 2008 nos estaleiros The British Classic Boat Co. , em Bristol, segundo desenho inspirado nos antigos navios de pilotos da era da navegação à vela. É um veleiro de instrução de jovens e participa também em grandes regatas internacionais. Tem 22,5 m de comprimento, 4,5 m de boca e 2,6 m de calado.
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PUBLICIDADE NÃO LUCRATIVA

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CHEIRO A CHULÉ

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Em Espanha houve uma huelga general. Se os dicionários estão certos, huelga general significa greve geral. E também, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, greve é "o acordo entre trabalhadores subordinados em suspender ou alterar a prestação de trabalho, com o fim de exercer pressão e obter decisões favoráveis aos seus interesses colectivos e profissionais". Tudo correcto.
Ipso facto, huelga general não é um conjunto inqualificável de selvajarias, como apedrejar as montras de lojas de cidadãos que sofrem os mesmos martírios que os selvagens, eventualmente mais martírio; não é incendiar caixotes do lixo, que vão ser substituídos e pagos pelos cidadãos contribuintes que, suspeito, não são os selvagens; não é incendiar os dois andares de um café cuja responsabilidade nas novas leis laborais é duvidosa; não é vandalizar automóveis que podem pertencer a pobres trabalhadores muito mais esforçados e atingidos pelas novas leis laborais que os selvagens; nem é o folclore dos capacetes de mota, das máscaras contra o gás, ou das mochilas cheias de pedras para mostrar aos operadores de televisão.
E também não é oportunidade para os mentores da greve, também conhecidos por dirigentes sindicais por analogia com uma classe que existiu em tempos e ajudou os trabalhadores a civilizadamente conquistar muitos dos direitos que hoje têm, confabularem a meter 800.000 manifestantes na Avenida Diagonal de Barcelona, ou 900.000 nas ruas de Madrid, números só comparáveis aos 300.000 na Praça do Comércio de Arménio Carlos.
A Espanha, tal como Portugal, está “à rasca” porque governos socialistas assim a puseram. Puseram a Espanha e também Portugal, e depois foram embora, deixando o recado de que quem viesse atrás fechasse a porta. E quando a porta começa a dar os primeiros guinchos nos gonzos ao ser fechada, ai Jesus que vem aí a reacção! É preciso mobilizar os selvagens para animar a malta. Sim, porque o que é preciso é animar a malta, se possível troglodita quanto baste para atemorizar o cidadão atemorizável, e também para o adormecer com o cheiro do dióxido de sovaco e do podológico aroma de infantaria. Deus os abençoe.

"SOPHIA" EM CONTRA LUZ

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"Sophia"

."Sophia", porta-contentores de 8.150 t de porte bruto, com bandeira Antigua e Barbuda,  chega a Lisboa em 16-02-2012.
Tem 130 m de comprimento e 21 m de largura. 
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TEORIA DE PEIRCE

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Charles Sanders Peirce, num dia de inspiração, disse esta coisa: “Os factos não podem ser explicados por hipóteses mais extraordinárias que eles próprios; e, de todas as hipóteses possíveis, deve escolher-se sempre a menos extraordinária.” Ganda Peirce, estou contigo! É o Princípio da Melhor Explicação, chamemos-lhe assim, porque com as maiúsculas fica muito mais respeitável. E quero acrescentar que, apesar de usar tom jocoso, acho o Princípio de Peirce fundamental em qualquer vida.
Do simples para o complicado. São 7 horas da tarde, a mulher está em casa e ouve alguém abrir a porta e entrar. Que pensa a mulher? Um milhão, oitocentos e trinta e cinco mil, duzentos e quarenta e seis pensamentos são possíveis. Que digo eu?!!!... Muitos mais!!!... Por exemplo, são almas do outro mundo; ou, é o Professor Cavaco que vem visitar-me; ou, é a mulher a dias que quer pôr-me a par do divórcio; ou, é o Zézito que chegou de Paris e vem pedir-me dinheiro emprestado; ou, é o meu marido que regressa do trabalho; ou, blá, blá, blá. Naturalmente que está mesmo a ver-se qual é a hipótese menos extraordinária, embora a do Zézito possa ter alguma verosimilhança.
No dia a dia, todos sabem aplicar muito bem a Teoria de Peirce. Ou melhor, quase todos. Mas há coisas em que a aplicação não é tão fácil. Imaginemo-nos em 1969, quando o homem foi a primeira vez à Lua. Um fulano regressado da selva, onde andou a missionar durante anos sem ouvir falar da NASA, chega a casa e encontra a família a ver na TV a transmissão da alunagem. Pergunta o que é aquilo e, à resposta de que é o homem a chegar à Lua, sente-se gozado. A explicação neste caso é a mais, e não a menos, extraordinária. Para ele, provavelmente, aquilo passa-se num estúdio de Hollywood – afinal, tudo é relativo e o missionário não gosta de chacota.
Mas a dificuldade da Teoria de Pierce é ainda maior nos tempos que correm com essa coisa da Física Teórica, e era aqui que queria chegar. Ouvimos falar de quarks, de leptões, de bosões, da partícula de Deus, e simultaneamente de Higgs, do gravitão, da Teoria das CORDAS (!!!!!!!!) que não são de violino, e por aí fora. Ninguém vê as partículas, nem as forças, nem as cordas - há uns janotas a trabalhar em aceleradores de partículas que escaqueiram protões, dizem eles, e percebem o que está nos cacos daquela cangalhada: que são hadrões, leptões, quarks, bosões, blá, blá, blá. Para eles, a explicação é a menos extraordinária. Mas, e eu?! Para mim, é a mais extraordinária! Isto é, não posso ser como S.Tomé: tenho que acreditar sem ver! Anda cá abaixo Peirce e vem dar uma ajuda ao pessoal que não estudou Física Teórica. E tu, que também eras físico, diz-nos se estão a meter-nos os pés no bolso. Embora receie que a tua Física já esteja um nadinha démodé.

MANUSCRITOS HISTÓRICOS

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Este é um dos três manuscritos (conhecidos) de Einstein onde figura a equação que relaciona a energia com a massa e a velocidade da luz no vácuo e resulta da sua Teoria Especial da Relatividade. Na figura de baixo, pormenor da página 3, vê-se a celebérrima equação escrita pelo seu punho.


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«VODAFONE RALLY DE PORTUGAL»

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Com a Super Especial de Lisboa, inicia-se hoje o "Vodafone Rally de Portugal", junto aos Jerónimos. Como em todos os grandes eventos desportivos, os preliminares sociais são da máxima importância; e fundamentais (esta manhã):
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quarta-feira, 28 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Pamir"
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O “Pamir” era uma barca de quatro mastros e casco de aço, construída pelos estaleiros Blohm & Voss, de Hamburgo, e lançada à água em 1905. Fez serviço de cargueiro e também de treino de cadetes da marinha mercante. Passou por duas guerras mundiais e por seis mãos: três alemãs, uma italiana, outra finlandesa e outra da Nova Zelândia. Em 1957, apanhou uma tempestade no Atlântico e afundou-se a 600 milhas a Sudeste dos Açores. Tinha 114,5 m de comprimento, 14 m de boca, 7, 25 m de calado e 3.800 m2 de velas – um senhor veleiro.

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TÁCTICA POLICIAL

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Em 1908, o Almanaque Bertrand publicava esta figura de dispersão de ajuntamentos pela polícia. É o momento de relembrar a táctica às autoridades. A mão estendida é muito mais dissuasora que o bastão.
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(Agradeço ao colega Arnaldo Valente, que me mandou a imagem)
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YOLE E LUZ

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THE LAND OF PRESTER JOHN

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Elaine Sanceau (1896-1978), historiadora inglesa radicada em Portugal, dedicou-se ao estudo dos descobrimentos portugueses. É autora, entre outras, das seguintes obras: D. Henrique, o Navegador, Afonso de Albuquerque, D. João de Castro, A Viagem de Vasco da Gama, D. João II, Capitães do Brasil
Em 1944, publicou em Nova Iorque o livro "The Land of Prester John", editado por Akbert A. Knoft, que começa assim:

Um mundo de fantasmas reinava à volta da Cristandade medieval. A Europa via-se como pequeno oásis – um foco de luz onde reinava a verdadeira religião e a vida era normal, enquanto o mistério e a magia turvavam tudo para além dela.
Para Oeste surgia o oceano que nenhum homem tinha cruzado, impassível e enigmático como infinito; para Este e Sul tudo conduzia à escuridão exterior. A Terra continuava, os homens sabiam, mas ninguém podia explicar como. Era um mundo maravilhoso e estranho que ficava para além da compreensão dos Cristãos – um mundo de pagãos e de infiéis de bruxaria e encanto.
Histórias  estranhas  corriam de tempos a tempos, como ecos de outro planeta; estranhas visões, agora e logo, como a do homem de raça desconhecida do fim do mundo visto nos confins da Cristandade, ou às vezes até um Cristão de grande valentia que desaparecia nas sombras. Noutras alturas, mais terrível que tudo, ouvia-se o galope de cavalos transportando guerreiros amarelos através das estepes do Leste e a Europa tremia temente de ser engolida por tais hostes demoníacas libertadas por alguma região de horror sem nome.[...]

É um livro de inglês difícil, mas muito bem escrito. A quem puder fazê-lo e tenha interesse, encontra-o aqui.  

PESCADOR DE ILUSÕES

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Se meus joelhos
Não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé
Que me traga fé...
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Se eu me tornar
Menos faminto
E curioso
Curioso...
...
Valeu a pena
Eh! Eh!
Valeu a pena
Eh! Eh!
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões...
...
O Rappa

OS PARTOS GEMELARES DA CIÊNCIA

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A melhor maneira de saber que tempo vai fazer amanhã é esperar 24 horas e ver. Sarcasmo com a ciência? Seguramente, mas uma grande verdade. A ciência de tão endeusada que é, perdeu o sentido de humor e não gosta de ditos jocosos. Na realidade, há nela muita coisa inesperada.
Sabia que Alexander Graham Bell e Elisa Gray apresentaram o pedido de registo da patente do telefone no mesmo dia? E que a Teoria da Evolução foi desenvolvida simultânea e independentemente por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace? Isto só para referir duas coisas muito conhecidas. Mas, se escavarmos na história da ciência, sobre coisas que nem sabemos bem o que são, é um espanto! A Geometria Hiperbólica (!) foi desenvolvida ao mesmo tempo e separadamente pelo matemático húngaro János Bolyai e pelo russo NickolaiLobachevsky; a fita de Möbius, do matemático alemão August Möbius, foi criada ao mesmo tempo por ele e por outro alemão, Johann Benedict  Listing; a descoberta do processo electrolítico de refinar o alumínio foi feita simultaneamente pelo americano Charles Martin Hall e pelo francês Paul Héroult; blá, blá, blá...
Os cientistas e investigadores são todos boa gente, de primeira ou primeiríssima água; mas também são todos uns grandes sacanas. O físico canadiano William Osler costumava dizer que o crédito de uma ideia vai para o homem ou mulher que convenceu o mundo e não para quem teve a ideia. É verdade! Tal e qual!
Tive oportunidade de ver isso ao longo de 40 anos de actividade profissional. Ninguém imagina o que são os bastidores das revistas científicas, especialmente das mais credenciadas. O golpe baixo, a jogada rasca de antecipação, o trabalho aldrabado, o plágio até, são o “pão nosso de cada dia”. O mundo nunca esquecerá o Professor Benveniste, defensor da homeopatia, com o trabalho sobre a “memória da água”, publicado na impoluta revista “Nature” e a que penso já me referi aqui.
Mas o que queria dizer hoje não era só má língua, embora esta também tenha cabimento nos antros científicos. Pensava eu, antes de descarrilar e começar a bater, não nos ceguinhos, mas naqueles que vêem mais que os outros, em falar porque acontece isto das descobertas simultâneas. Mark Twain, quando interrogado porque ocorrem tantas invenções simultâneas e independentes, dizia: “Quando é tempo para o navio a vapor, você viaja em navio a vapor”. Referia-se Twain ao facto da pressão do vapor de água já ser usada por Hero de Alexandria, há mais de 2.000 anos, e só ter sido aplicada na prática industrial no Século XVIII. As descobertas simultâneas, provavelmente entre mais razões, devem-se a duas circunstâncias:
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1 - O estado de amadurecimento global da ciência no momento, que ao criar o potencial intelectual para a invenção, dá fatalmente origem ao parto desta, muitas vezes parto gemelar.
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2 - A pressão da necessidade social, política, filosófica e até religiosa. Não é por acaso que muitas grandes invenções surgiram durante guerras ferozes e duradouras. Quando a pressão é muita, como acontece com a procriação assistida, os gémeos são mais prováveis.
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Mas é bom que haja muita gente a inventar a mesma coisa e ao mesmo tempo. Significa isso que a invenção é óptima e exequível. E que vai ser mais fácil receber o acolhimento do mundo.

(Em cima a Fita de Möbius. Se não conhece, dê a volta sobre uma das faces e verá que muda de lado sem passar no bordo)
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AVISO AOS NOSSOS ESTIMADOS CLIENTES

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Por motivos de força maior, este espaço encontra-se temporariamente fechado para obras de remodelação.
Pedimos desculpa pelo incómodo.
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terça-feira, 27 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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A Guerra Naval (1812)
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O REPÓRTER DA CIDADE

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O Espelho d'Água lava-se "por baixo"
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CORRESPONDÊNCIA DE CHARLES DARWIN (II)

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Em 1871, Horace, filho de Charles Darwin, foi aprovado no primeiro exame na Universidade de Cambridge, onde planeava estudar Matemática e Ciência. O pai escreveu-lhe uma carta a felicitá-lo e, a páginas tantas, torna-se filosófico e diz:

Ontem à noite, estive a especular no que faz um homem descobrir coisas desconhecidas... – muitos homens que são inteligentes, – muito mais inteligentes que descobridores, - nunca criam nada. Tanto quanto posso conjecturar, a arte consiste em procurar habitualmente as causas e o significado de tudo o que acontece.

Vem isto a propósito de um comentário que hoje um leitor publicou no post deste espaço, de 23 de Abril de 2010, intitulado "Correspondência de Charles Darwin". Pergunta o leitor o que dizem as cartas do investigador. É impossível transcrever todas as conhecidas, porque são muitas. Mas há um excelente site, da Universidade de Cambridge - "Darwin Correspondence Project" - onde se pode encontrar grande parte da correspondência do investigador. De lá saiu a citação aqui de cima.
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COM O VENTO DE FEIÇÃO...


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...NÃO HÁ MÁ NAVEGAÇÃO.
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DO COZIDO À PORTUGUESA A MALTHUS E DARWIN

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Charles Darwin ensinou que os seres mais aptos sobrevivem e os fracos desaparecem. É preciso pedalar, lutar e, se necessário, linchar o próximo: é a vida! É competitiva, claro. Mas os maus é que vencem e os bons ficam no último lugar – mal feito!
Contudo, o Homo sapiens deu um pouco a volta ao problema. E o que fez o Homo sapiens? Por exemplo, levanta-se de manhã, vai ao café, toma o galão, come o croissant. Tal e qual! E daí, perguntar-se-á. Daí, ajuda o dono do café a sobreviver, ajuda o lavrador que cria a vaca leiteira a sobreviver, ajuda todos que contribuíram para o café do galão chegar àquele copo, ajuda o padeiro dos croissants, ajuda o Victor Gaspar, ajuda o empregado do café, blá, blá, blá. É a cooperação, o novo dado biológico: o homem compete, mas também coopera. Aí está como é.
É bom? Dizem que sim e eu também acho. Apesar de que há uma data de artolas que sobrevivem e atrapalham; e reproduzem-se, enchendo o mundo de artolinhas. Chegados aqui, pergunta-se: qual é o mal dos artolas e dos artolinhas? A humanidade vai jogar algum campeonato com extra-terrestres e precisa de ter só bons jogadores no plantel? Não vai.
O problema, se há problema - e gostava de saber se há – tinha-o Malthus, com essa coisa da progressão geométrica da população e aritmética dos meios de subsistência.
Mas parece que a questão é mais grave ainda. Ao contrário das preocupações de Malthus, a ansiedade agora não é só por causa dos meios de subsistência – a razão é mais ampla porque o planeta está a ficar sem capacidade de suportar a vida. É a poluição, a desflorestação, eventualmente o aquecimento, a ameaça de esgotamento dos recursos energéticos, a extinção de espécies vegetais e animais indispensáveis, particularmente no mar, e outras coisas que nem sei se são menores ou maiores, como a SIDA, a dependência das drogas e por aí fora. Uma tragédia!
O facto é que a situação actual é esta: a evolução tinha inicialmente dois princípios básicos: a mutação genética e a selecção. O primeiro gerava a variedade biológica, ou seja as espécies, por alterações dos genes; o segundo escolhia as espécies e os membros de cada espécie mais aptos e eliminava os mais “fracos”. Agora temos um terceiro princípio, a cooperação, que controla a selecção, “salvando” os fracos. Tal é humanamente primoroso. Não sabemos ainda é o que dá. Tenhamos fé.
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O SHELL E AS MULHERES D'ARMAS

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(27-03-2012)
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segunda-feira, 26 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Palinuro"
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O "Palinuro" já é nosso conhecido. É uma velha e muito bonita escuna que serve de navio-escola da Marinha de Guerra Italiana.
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MALEMA PAINTINGS

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Viva a Primavera
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ESCREVER

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No princípio era a palavra oral. Foi com ela que os humanos começaram a comunicar entre si e se constituíram como seres humanos. Mas, depois, eles criaram o artefacto da palavra escrita, que é uma forma de comunicação mais elaborada e duradoura. Sem poder perder a sua relação com a oralidade, e sendo um artefacto duradouro que aí fica, a linguagem escrita, mesmo independentemente dos conteúdos, que veicula, ela própria, por si mesma, é já um produto cultural onde se devem guardar memórias culturais. Este é, por exemplo, o caso de alguns vestígios de línguas anteriores que, muito embora já tenham caído em parcial desuso na oralidade, constituem um meio precioso para nos ajudar a reconhecer famílias de palavras da nossa língua, assim nos levando não só a escrevê-las correctamente, como ainda a captarmos de uma forma mais perfeita o seu significado. Por isso, quanto às assim denominadas ‘consoantes mudas’, em vez de lhes chamarmos ‘consoantes mudas’, chamemos-lhes ‘consoantes etimológicas’. Seriam ‘consoantes mudas’ se as olhássemos na perspectiva da oralidade, mas elas não são oralidade mas escrita. Conclui-se então que uma boa ortografia deve guiar-se por dois critérios, em compromisso um com o outro: o critério da pronúncia ou da oralidade, mas também o critério científico-etimológico. Assim, se é importante para uma correcta grafia o critério da pronúncia, não é menos relevante o critério científico-etimológico que pede para se escrever ‘fracção’ e não ‘fração’, ‘faccioso’ mas também ‘facção’, ‘factura’, ‘rubrica’ e não ‘rúbrica’, assim até corrigindo neste último caso a pronúncia.

João Reis in “Expresso” (Cartas)

Não sei o que mais aprecio no texto citado, da autoria do leitor do "Expresso" João Reis: se o conteúdo, se o estilo. Argumentação inteligente, bastante acima do nível dos mentores do Acordo do desacordo, explanada em português de primeira, de que nos vamos desabituando. Deus seja louvado! Ainda há quem saiba escrever português... em Portugal!
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IL CANALASSO

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Veneza (2008)
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