quarta-feira, 31 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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BERTRAND RUSSELL

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(A democracia é o método através do qual as pessoas escolhem o homem que vai ficar com a culpa)
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UM SORRISO

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Lisboa, 25-07-2013
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ASSIM NASCIAM OS REINOS

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«D. Diniz foi um avaro. Afonso IV um homem de juízo, Pedro I um doido com intervalos lúcidos de justiça e economia.»  Assim A. Herculano caracteriza os três monarcas, a quem já fora concedido reinar sobre Portugal integralmente constituído, dentro dos limites das suas fronteiras actuais. Mas que eram então um rei e um reino?
Errada ideia formará dessas épocas aquele que não puder desprender-se das impressões resultantes de períodos mais próximos de nós. Foi só desde o Século XV que o desenvolvimento das nações peninsulares permitiu aos réis começarem a ter consciência do carácter jurídico-social do seu cargo. Até ao  Século XIV, os Estados peninsulares, ou—limitando-nos agora ao campo exclusivo das nossas observações—Portugal, não merece propriamente o nome de nação, se a este vocábulo dermos o valor moderno. As comparações ilustram superiormente a História: e em nossos dias temos exemplos de semelhança quase absoluta. Esses principados eslavos, onde a ocupação da Turquia jamais deixou de encontrar resistências, são como foram a Espanha. O Montenegro reproduz as tradições das Astúrias, ninho dos bandidos de Pelayo; a Sérvia ou a Herzegovina, em cujas campinas, avassaladas pelo turco, as quadrilhas dos indómitos montanheses vêm periodicamente fazer as suas razias, são como foi Portugal. A História repete-se ainda na independência final, ganha pela irradiação do foco de resistência invencível.
Regiões fadadas a tal existência não podem ser propriamente nações: não atingiram esse momento de existência colectiva, não saíram dos períodos preparatórios da organização. O processo tem, neste caso, dois graus característicos. Primeiro aparece o bando, depois a família. O rei é o chefe dos bandidos, antes de ser o protector, o pai, dos seus súbditos. Se a guerra é antes um sistema de rapinas do que uma sucessão de campanhas, a justiça é também mais a expressão arbitrária de um instinto, do que a aplicação regular de um princípio. A sociedade que se desenvolve de um modo espontâneo, à lei da natureza, vai sucessivamente definindo as ideias colectivas, à maneira que progride na série das formas evolutivas do seu organismo. [...]
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Oliveira Martins in "História de Portugal"
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SOLIDÃO

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Lisboa, 30-07-2013
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MANIFESTO ANTI-MENESES

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Rui Rio reprovou o PSD por estar a infligir pesadas medidas aos portugueses, dizendo que a culpa é de quem endividou o país e, ao mesmo tempo, escolhe para o Porto Luís Filipe Menezes, que em Gaia fez pior que os antecessores socialistas criticados pelo Governo.

O citado lê-se nos jornais e constitui uma das poucas coisass entre as muitas que a imprensa verte diariamente no encéfalo dos portugueses. Meneses, o Fernando Seara do Porto, também presidente profissional de câmara, é um génio—endividou a Câmara de Gaia até aos colarinhos, pior do que o Zezito fez à Pátria, e agora perfila-se para fazer o mesmo, ou pior, no Porto que para ele é fruto apetitoso porque tem as contas em ordem.  
Um município com um Meneses a cavalo é um burro impotente!
Portugal que com todos estes senhores, conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O País mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degradados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia—se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

MORRA O MENESES, MORRA! PIM! 
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DÉCIMA HORA

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NA 'MOUCHE' !

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[...] Um dos principais problemas do PS é que ganham terreno no interior do partido alguns políticos que trazem na cabeça os péssimos hábitos da I República, quando os Governos caíam de três em três meses: Soares é um típico tribuno republicano, Alegre também, Sócrates e Galamba parecem saídos da Carbonária.
Já se imaginou o que seria um Governo presidido por António José Seguro com Mário Soares e Manuel Alegre de fora a exigirem todos os dias medidas radicais, José Sócrates nos ecrãs da RTP a incendiar os ânimos, e João Galamba no Parlamento a vociferar e a distribuir insultos?
É uma imagem um tanto assustadora... [...]

José António Saraiva in "Sol"
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terça-feira, 30 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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DOIS DEDOS MAIS ACIMA

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Lisboa, 30-07-2013
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LE CHIEN QUI RIT

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Lisboa, 30-07-2013
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CORRENTE DE FRASES

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A tragédia da vida é que ficamos velhos muito cedo e sábios muito tarde.


Benjamin Franklin 

A VIDA É DURA

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Lisboa, 30-07-2013
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Fotografada por mim há 5 dias, a imagem desta tour leader foi publicada em 25-07-2013. Hoje mantinha a mesma intensa actividade, com o ar de quem toma o trabalho muito a sério.
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SN 1957D

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(Clique na imagem para ver maior)
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Há 56 anos, foi descoberta uma supernova na galáxia espiral M83, a cerca de 15 milhões de anos/luz da Terra. Foi chamada SN 1957D, por ser a quarta descoberta no ano de 1957. É das poucas supernovae observáveis fora da Via Láctea.
Em 1981, ainda era "visível" através de ondas da rádio e, em 1987, foi também observada pela radiação óptica.
Em 2010, foi pela primeira vez detectada através dos RX que emite, pelo Observatório da NASA "Chandra X-Ray". É uma das mais completas observações pelo RX de uma galáxia espiral fora da nossa Via Láctea.
Pensa-se que existe lá uma estrela de neutrões com rapidíssimo movimento de rotação (spin) a emitir partículasconsequentemente um pulsar em formação. Será um dos mais jovens pulsares observado desde sempre.
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AUTOCARRO ANFÍBIO



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O autocarro de turismo anfíbio da HIPPOtrip, navegava assim esta manhã no Rio Tejo.
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Lisboa, 30-07-2013
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O CALAFATE SOARES

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A "Redacção da Guidinha" do DN, versão Mário Soares, tem hoje 1.957 palavras—SÓ !—e 31 parágrafos. Sendo uma obra incontornável que nunca perco para me cultivar, embora tenha aprendido que no Egipto há uma grande biblioteca em Alexandria, nome que homenageia Alexandre (quem diria?!), fiquei embasbacado porque a mulher do Dr. Soares visitou a tal biblioteca "várias vezes", mas ele—"bibliógrafo desde jovem"—nunca lá foi. Custa a acreditar, especialmente num bibliógrafo que lia quase todas as folhas A4 de resumos que o seu sobrinho e simpático fóssil republicano lhe preparava, quando era Primeiro-Ministro e Presidente da República.
O Dr. Soares é um devorador de textos insaciável. Passou a esmagadora maioria das horas diurnas e nocturnas da sua vida debruçado sobre as grandes obras em prosa e verso que o génio humano pariu—e sobre as médias e pequenas também. O seu carácter "bibliógrafo"—e bibliófago!—não deixou escapar nada que fosse letra, de forma ou cursiva.
Nada não é bem dito, porque a Biblioteca de Alexandria escapou: mas que é tal insignificância no universo da cultura do Dr. Soares? Uma gota de água em todos os oceanos do Planeta Azul! Aliás, a Biblioteca de Alexandria tem lacunas, frestas, ou fissuras que só o Dr. Soares podia calafetar, se não andasse tão ocupado com o governo que nos governa, governo que não lê nadanem as "redacções da Guidinha"!.

Nota:
Teria respeito pela idade e sanidade mental do Dr. Soares, se ele se calasse, ou alguém o calasse. Enquanto exibir publicamente a personalidade facciosa e egocêntrica que sempre o caracterizou mas agora disfarça pior, não me abstenho de o criticar.
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segunda-feira, 29 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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MARQUÊS

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Quando o Marquês fazia biscates de paliteiro
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O 'BOTAFOGO'

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O "Botafogo" na conquista de Tunes 
(em primeiro plano, em baixo à esquerda)

O galeão "São João Baptista", mais conhecido por "Botafogo", foi na sua época—diz-se—o mais poderoso navio de guerra do mundo. Construído em 1534, deslocava cerca de 1000 toneladas e estava armado com 366 canhões de bronze, tendo tremendo poder de fogo. Por essa razão tornou-se conhecido por "Botafogo".
Participou em inúmeras batalhas, tendo ficado famoso durante a conquista de Tunes. Quando Carlos V se lançou na conquista de Tunes, solicitou apoio naval a Portugal e pediu especificamente o "Botafogo". Nessa batalha, era comandado pelo Infante D. Luís, irmão do Rei D. João III de Portugal e cunhado do Imperador Carlos V.
O "Botafogo" liderou o ataque a Tunes e foi o seu esporão que conseguiu quebrar as correntes do porto de La Goleta, que defendiam a entrada, permitindo então à armada cristã a conquista da cidade.
Um dos membros da tripulação do galeão, chamado João Pereira de Sousa, nobre da cidade de Elvas, tornou-se famoso porque era o responsável pela artilharia do navio, razão porque ganhou também a alcunha de "Botafogo", incluída depois no nome como apelido passado aos descendentes.
Mais tarde, quando João Pereira de Sousa se estabeleceu no Brasil, recebeu da Coroa Portuguesa terras junto da baía de Guanabara, passando essa área a ser conhecida por "Botafogo".
A chegada da família real portuguesa ao Brasil e à cidade em 1808, mudou totalmente a vida de "Botafogo". De bairro rural, transformou-se no local preferido dos nobres que o procuravam para nele construir as residências. É por esta razão que existe hoje o famoso bairro nobre na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro com o nome de "Botafogo"!
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(Com colaboração de J. Castro Brito)

PORTE ATLÉTICO

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Lisboa, 25-07-2013
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O VIÉS DAS PISTOLAS


Em 26 de Fevereiro, Trayvon Martin, um jovem negro de 17 anos, foi abatido a tiro na Florida por George Zimmerman que efectuava  rondas de segurança no seu bairro. O jovem parece que telefonava a uma amiga e tinha consigo um pacote de bombons  e uma embalagem de chá congelado.  Zimmerman alega que actuou em legítima defesa, o que não está agora em discussão, nem interessa para o que segue.
Serve esta introdução para dizer o seguinte: estar na posse duma arma, sobretudo se se empunha a dita, cria um viés no portador que aumenta a probabilidade de interpretar mal o que vê e tomar objectos banais por armas. Acontece frequentemente com polícias que matam pessoas porque elas têm na mão um telefone, uma escova, uma garrafa, ou outro objecto inofensivo.
Dir-se-á que é o stress psíquico da situação que provova tais acções, e não a o facto de se empunhar uma arma, mas parece que não é assim. A posse da arma é o principal factor responsável. Está estudado em laboratório.
Com voluntários à margem do problema, até sem saberem em que consiste o estudo, num computador é feito um jogo em que se pode disparar uma arma mortal sobre figuras que se sucedem e empunham, umas armas, outras objectos inofensivos. No fim conta-se o número de erros. Paralelamente, com outras pessoas repete-se a cena, mas com a informação de que a arma usada não mata, pois é só simulada. No fim contam-se também os erros.
A repetição dos testes mostra que quem empunha a arma alegadamente mortal comete sempre, ou quase sempre, mais erros. Isto é, o estar armado aumenta a convicção de que o outro também está e, consequentemente, a probabilidade de fazer asneira.
Não há muito tempo, veio nos jornais a história de um senhor que terá disparado sobre o genro, ou coisa parecida, matando-o, porque suspeitou que ele tinha metido a mão no bolso para sacar uma arma. Provavelmente, se ele próprio não estivesse armado, não tinha pensado assim.
Moralidade da história: que tem armas potencialmente mortais, o melhor a fazer é desfazer-se delas—COM URGÊNCIA!
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EXPRESSÕES

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Lisboa, 25-07-2013
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O NÚMERO DE OURO

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Pi, ou π, ou 3,141592653589793238462643383279502884197169399375..., exprime a relação entre o raio da circunferência e o seu perímetro—é do conhecimento geral.
Phi, ou fi, ou Ø, ou número de ouro, ou 1,618, é mais complicado. Exprime a relação entre o lado maior e o lado  menor de rectângulos de tamanhos variáveis mas que mantêm aquela relação. Chama-se Phi em homenagem ao escultor do Parthenon Phideas que a usou nesse monumento—era o rectângulo considerado ideal por razões estéticas e não só e, por isso, chamado rectângulo de ouro. No Parthenon, os rectângulos que formam a face anterior, as laterais, a base e por aí fora, obedecem todos ao Phi.
No Egipto, as pedras de cada nível das pirâmides têm uma relação com as do nível superior de 1,618. Durante séculos, a arquitectura usou o número de ouro, até ao gótico e suas formas arredondadas, que tiraram importância ao Phi.
No ano de 1200 Leonardo Fibonacci, estudando o crescimento de populações de coelhos, verificou que, partindo de um par, o crescimento do número de animais se faz segundo uma sequência matemática, a Série de Fibonacci, em que cada número da série é igual à soma dos dois que o precedem: por exemplo, 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 … Estranhamente, o quociente  da divisão de cada número da série pelo anterior anda sempre muito perto do número áureo —pode haver ligeiros desvios individuais, mas a média global é 1,618.
Depois, sucederam-se estudos vários na natureza: as espirais da "casa" do caracol crescem na proporção de 1,618, o mesmo para as espirais das sementes do girassol, para as espirais nas galáxias assim chamadas, e também para a diminuição do número de folhas das árvores, à medida que se avança em altura.
Michelangelo e Leonardo da Vinci usaram o número de ouro nas suas obras e da Vinci encontrou a relação Phi em várias medições do corpo humano. Actualmente, os cartões de crédito, de débito, do Metropolitano, e muitos objectos de uso corrente, como livros e fotografias, respeitam aquela relação, ou andam lá perto.
No mínimo, intrigante!
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(Com colaboração de Fernando Pena de Sousa)
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UM CHAPÉU DE REFERÊNCIA

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Lisboa, 25-07-2013
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domingo, 28 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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"Sea Cloud"
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Construído na Alemanha e lançado ao mar em 1931, foi iate particular, serviu na Guarda Costeira Americana, na Marinha Americana, foi depois novamente iate de recreio, propriedade de muita gente, incluindo ditadores sul-americanos, é actualmente navio de cruzeiros à vela na Europa e nas Caraíbas. Desloca 3.077 toneladas e tem 96 m de comprimento, 15 m de boca e 5,8 m de calado.
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PALINDRÓMICOS

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Tozé diz que ninguém leva a sério Passos Lapin—é verdade.
O inverso também é verdadeiro.
Isto é, se Passos Lapin disser que ninguém leva a sério Tozé, está igualmente certo.
É uma situação tipo palíndromo, sequência de unidades que pode ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Por exemplo, 456654; ovo; lamina animal; A diva em Argel alegra-me a vida.
A política portuguesa está reduzida a um palíndromo, ou seja, é palindrómica e nós estamos bem "palindromicados".
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SOL E SOMBRA

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Lisboa, 25-07-2013
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I WOULD "LEICA" TO HAVE A "LEICA"

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Oscar Barnack era o seu nome e foi ele que, em 1920, criou a primeira máquina fotográfica "Leica", a "Leica 0", na fotografia em baixo.
 

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Em 1954, foi lançada a "Leica M3", êxito extraordinário entre os profissionais, especialmente jornalistas, pelas reduzidas dimensões e resistência.



Grandes e famosas fotografias  foram feitas com a "Leica M3"—por exemplo, a do soldado ferido mortalmente na Guerra Civil Espanhola, de Robert Capa, e o retrato de "Che" Guevara, do cubano Alberto Korda, reproduzido milhares de milhões de vezes em todo o mundo, em camisas, chapéus, posters, murais, etc. Também a célebre "Menina Napalm", do vietnamita Nick Ut, que deu a volta ao mundo e contribuiu para o fim da Guerra do Vietname, foi feita com uma "Leica".
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BACK TO BACK

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Lisboa, 25-07-2013
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video
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A música é do album "Back to Back", de Duke Ellington e Johnny Hodges.
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A MOTA FAZ MUITO BARULHO

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Leio num título do "Diário Económico" que o Primeiro-Ministro declarou em Alijó, urbi et orbi e solenemente, o seguinte: "Não recuperamos a economia aumentando impostos".
Depois de levar à falência milhares de pequenas empresas pela via fiscal, nomeadamente através do aumento do IVA até valores do foro da Astronomia; depois de depenar os consumidores que deixaram de o ser por falta de numerário, sugado pela voracidade tributária; depois de espantar o investimento, arrepiado com a imagem desse cobrador do fraque chamado Gaspar, Coelho diz-nos o que toda a gente já sabia e lhe havia dito: aumentar impostos como ele fez arruína a economia. É a anedota do "pendura" da mota que diz ao condutor que a mota faz muito barulho, respondendo este  não ter ouvido o "pendura" porque a mota faz muito barulho.
Depois de ler o jornal, duas—e só duas—dúvidas assaltam o cidadão contribuinte:  estava Sua Excelência completamente bêbado quando assim perorou, ou é Sua Excelência, de facto, uma realíssima besta quadrada?
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FLORES SILVESTRES

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Cascais, 27-07-2013
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Ó LUA QUE VAIS TÃO ALTA

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Nas noites de Lua Cheia, a actividade cerebral ligada à fase de sono profundo diminui 30%, lê-se num artigo de investigadores suíços publicado na revista “Current Biology”. Mesmo sem ver e Lua e sequer saber que havia Lua Cheia, os estudados demoravam mais 5 minutos a adormecer que noutras fases do ciclo do nosso satélite e dormiam 20 minutos menos, comparativamente com outras noites.
Se as fases da Lua têm influência comprovada  no comportamento de reprodução de animais marinhos, porque não influenciariam o homem e a mulher, alterando-lhes a qualidade do sono e aumentando eventualmente a actividade reprodutiva? 
Muito antes de Christina Cajochen e seus colaboradores, do Hospital Psiquiátrico  Universitário de Bâle, chegarem laboriosamente à conclusão a que chegaram, já os poetas da mais remota antiguidade sabiam isso, sem precisar de medir concentrações de melotonina no sangue, ou fazer registos electroencefalográficos! 
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(Clicar para ver maior e ler o sumário)
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sábado, 27 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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O CENTRO DESCONHECIDO DE CASCAIS

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Cascais, 27-07-2013
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A HISTÓRIA [ NÃO ] SE REPETE

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Ouve-se e lê-se que a História não se repete. Karl Marx dizia que se repete: a primeira vez sob a forma de tragédia, a segunda sob a forma de farsa. Mark Twain, que não se repete, mas rima. E Clarence Darrow, que se repete, sendo precisamente essa uma das coisas erradas que a História tem. Há para todos os gostos, situações e ocasiões, como acontece com quase tudo que é frase grandiloquente, provérbio ou ditado.
Em boa verdade, esse género de filosofia―com minúscula―é quase sempre de almanaque. Digo quase sempre porque alguma faz excepção―por exemplo, quando Churchill dizia que a História é a versão escrita pelos vencedores: todos conhecemos o que se diz do holocausto, mas só adivinhamos o que diriam os alemães sobre as bombas atómicas americanas no Japão se Hitler tivesse ganho a guerra.
Portanto, citando Einstein, tudo é relativo. Em Portugal, há 39 anos que a História se repete: invariavelmente, tudo está bem, mas os anos passam e por três vezes surgiu a emergência absoluta de colocar as contas públicas em ordem, maneira simpática de dizer que o País faliu e foi colocado sob a tutela de três comissões estrangeiras de administração de falências.
Naturalmente, também isto é relativo em relação ao fenómeno da repetição da História. Se falamos das duas falências durante os governos de Mário Soares, estamos a tratar de matéria clara porque aí a culpa foi do Dr. Soares e seus correligionários. Se falamos da falência actual, há duas versões: a primeira diz que foi o Zezito que afundou o navio, na melhor tradição socialista de gerir; a segunda que foi o Gaspar que lhe deu o tiro de misericórdia na tentativa canhestra de o manter a flutuar.
Resumindo e concluindo, a História não se repete, nem deixa de se repetir: está inocente. O que se repete são as jericadas dos políticos.
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OCASO

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Cascais, 27-07-2013
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UM ENERGÚMENO ENCARTADO

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Um maquinista da Renfe, cujo único trabalho nos comboios consiste em controlar a velocidade, que pode variar entre 0 e mais de 200 km por hora, entrou numa curva a 190 km/h, depois de ter recebido―em devido tempo―avisos para começar a abrandar, pois aproximava-se uma curva onde devia entrar a 80 km/h. O comboio descarrilou, morreram dezenas de pessoas e muitas mais ficaram feridas, algumas com gravidade.
O referido maquinista era um corredor de comboio, integralmente psicopata, como há mais sobre carris, nas estradas, na água, provavelmente no ar. No Facebook registou algumas das suas façanhas em que confessava o desrespeito pelas normas de segurança, de que se vangloriava, publicando mesmo fotografias dos velocímetros das locomotivas, com o cuidado de prevenir quem o lia que não havia truques nas imagens. Fica-se com a convicção que abordou a curva da forma como o fez, conscientemente, para juntar mais um troféu às burrices alarves que tinha no currículo e publicar no dia seguinte ter “feito” aquela precisa curva a 190 km/h―já a tinha “feito” cerca de 60 vezes e, consequentemente, o problema não foi ignorância da dificuldade.
Não me admira isto porque há gente assim em todas as profissões. Admira-me, sim, que a Renfe não lhe tenha dado uma corrida em pelo, antes de ele matar cerca de 80 pessoas e deixar muitas mais marcadas para o resto da vida. As conversas e imagens no Facebook eram comentadas por colegas e é difícil admitir que responsáveis da companhia ferroviária não as conhecessem.
Serve isto para dizer que a responsabilidade da tragédia não se esgota num homem que nunca devia ter passado de condutor de carrinhos de mão. Os superiores técnicos da criatura em causa têm de explicar, muito bem explicado, o que andava aquele energúmeno a fazer no comando de um comboio de grande velocidade.
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JARDIM

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Cascais, 16-04-2011
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TODOS A PUXAR PARA O MESMO LADO

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Tozé deu uma entrevista à revista “Visão” e fartou-se de falar. Não aos costumes―expressão de juristas―mas como de costume, disse pouco, embora falando muito. Está cheio de speed, apesar de não se enxergar porquê.
Uma das melhores saídas foi a de que está convicto ter sabido "resistir a pressões internas e externas, durante o processo negocial com os partidos do Governo". Teve algumas insónias e muitos pesadelos protagonizados pelo Dr. Soares, pelo poeta Alegre, pela tralha socrática e pelos fósseis da primeira república do PS, mas sobreviveu politicamente porque recolheu a cauda entre os membros inferiores e, um belo dia, de supetão, borregou. Não resistiu coisa nenhuma.
“Os portugueses desejavam um entendimento entre o PS e o Governo”, diz às tantas, num assomo paroxístico de sinceridade e lucidez. Só que não tinha autorização sequer para tentar, sabemos nós. Por vontade de quem o travou, nem tinha mandado Alberto Martins às conversações, com o que correu grande risco no partido.
Tozé está consciente da gravidade da situação, percebe-se claramente da conversa, sobretudo quando diz que “ou nos salvamos todos ou não se salva ninguém”. É mesmo isso, camarada. Mas, para nos salvarmos, é necessário que todas as bestas de tiro envolvidas puxem o arado para a frente, deixando por uns instantes de lado divergências medíocres e mesquinhas que as separam. É que há bestas a puxar em todos os azimutes e assim não vamos a nenhum lado.
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

OS GRANDES VELEIROS

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CORRENTE DE FRASES

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Pagamos a vida com a morte; por isso tudo deve ser grátis até lá.


Bill Hicks

' TOUR LEADER '

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Lisboa, 25-07-2013
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A LOUCURA DAS REFORMAS

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Corria o Anno Domini de 1407, era o dia 7 de Fevereiro, haviam passado 70 anos desde o início da Guerra dos 100 ditos, e reinava em França um rei que não "batia" muito certo, cujo cognome era por isso "O Louco", de sua graça Carlos e VI porque já tinha havido cinco Carlos a reinar na terra dos gauleses.
Pois "O Louco", apesar de o ser, era menos tal que um de Gaspar, também chamado Vítor. E porque digo isto? Digo porque, naquele preciso dia de Fevereiro, Carlos "O Louco" publicou um decreto a dar direito a uma pensão aos que o haviam servido bem durante tempo bastante. Estava criada a primeira reforma e surgiam os pensionistas do Estado.
Os sucessores de Carlos VI respeitaram a sua vontade e passaram a manter  uma verba no tesouro real destinada a pagar a cerca de 60.000 contemplados.
Posteriormente, dada a dificuldade de recrutar tripulações para a marinha de suas majestades, sujeitas ao perigo, à invalidez e à morte, criaram os soberanos de França a primeira caixa de reforma. Jean-Baptiste Colbert,  ministro de Luís XIV, em 1673, decretou o recrutamento geral da "gente do mar", chamada a servir nos navios do rei, organizando uma caixa dos inválidos da marinha para financiar a assistência aos feridos e inválidos da armada. Mais tarde, a velhice foi também considerada invalidez para este efeito e passou a beneficiar os mais velhos que já não podiam embarcar. Depois, sob Luís XVI, passam a ser abrangidos os militares do exército, o pessoal da casa real e por aí fora, até chegar Vítor Gaspar, ministro de Pedro VI, que acha tudo isso um horror e uma despesa fútil e inútil, promovendo a morte por inanição de velhos e inválidos para robustecimento do tesouro real, entregue à guarda de Maria Luís, ou "Lady Swap". Fim da história, que neste caso não tem moralidade nenhuma, seja de que natureza for.
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