sábado, 24 de maio de 2014

S. TOMÉ E A CIÊNCIA

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Diz-se às vezes que os cientistas só acreditam naquilo que vêem e palpam. Talvez isso fosse verdade há 100 anos, mas hoje é uma bacoquice. Desde logo porque a ciência não é uma actividade intelectual de crenças; e depois porque os cientistas se ocupam hoje mais do invisível que do visível e palpável.
A radiação que vem até aos meus olhos do monitor deste computador onde estou a escrever é percebida pela minha retina, mas não a vejo a viajar no espaço—é um conjunto de variações cíclicas dos campos eléctrico e magnético, perpendiculares entre si, com vários comprimentos de onda e frequências diferentes, que só conheço através de bonecos desenhados em papel, ou noutro suporte,  por quem a estuda e explica.
O campo magnético da Terra é fácil de detectar com a agulha da bússola, mas não o vejo, nem sinto; embora haja animais que provavelmente o detectam de forma desconhecida e o utilizam na navegação das migrações e até no posicionamento no espaço, como parece acontecer com vacas em liberdade nos campos.
A gravidade mata-me se ultrapasso o limite da minha varanda e me estampo na rua, mas também não a vejo. É fundamental no universo, mas perigosa para quem sobe muito alto—quanto mais alto se sobe, de mais alto se cai e maior é o trambolhão: Ricardo Salgado que o diga. Mas a sua ausência é um problema. Os astronautas da Estação Espacial Internacional todos os dias percebem isso quando se sentam na sanita e os "alívios" não descolam, nem vão ao fundo.
A matéria negra constitui mais de 90% do universo, sem ela este já tinha acabado e ninguém a vê. Em bom rigor, devia chamar-se invisível porque o negro vê-se—como vemos o futuro de Portugal—e ela não se vê. Sabemos que está lá, indirectamente, pela acção da sua gravidade na mecânica celeste.
Querem mais? Não posso encher o dia com todo o substrato invisível da ciência, até porque alguns são mais complicados e chegavam para posts indigeríveis. Por exemplo,  as ondas de electrões, as partículas virtuais, as hipotéticas quarta, quinta, sexta, sétima, oitava, nona, décima, rebabá dimensões e por essa estrada fora. Coisa entre o mundo real e o mundo da imaginação. Estou um nadinha "passado", mas tanto também não.
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